Testemunhos

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Recordar os anos na REB é voltar a mergulhar numa época cuja fugacidade do tempo e a erosão dos dias não só não consegue apagar, como, ao invés, contribui para realçar, ainda mais, tantos e tantos momentos inesquecíveis...

Como não lembrar as horas passadas na sala de estudo da cave, (o que permitia, nos esparsos intervalos vir até ao jardim e, antes da construção dos prédios que agora existem, deixar o olhar espraiar-se pelo deslumbrante vale do Mondego), a preparar exames e orais, horas que pela sua intensidade, fruto do famoso ambiente de estudo, não nos impediam, ou melhor até nos permitiam, por exemplo, em Março, em plena época de exames na Faculdade de Direito, rumar em conjunto com outros residentes até à serra da Lousã para acompanhar o Rali de Portugal, em Abril, durante as férias da Páscoa, participar no encontro Univ, em Maio estar em pleno na Queima das Fitas, em Junho dar uns inesquecíveis mergulhos na piscina, por vezes não de todo voluntários, pois houve anos em que se tornou moda atirar pessoas vestidas para a piscina, sobretudo quando acabavam o curso, o que no meu caso não sucedeu, pois, nesse dia, previamente avisado, entrei na REB pelo muro das traseiras...

Lembro ainda, com um particular orgulho de ter podido viver esses momentos, sobretudo agora quando confiro o que hoje ainda beneficio desses tempos, o espírito de tolerância e pluralismo da REB, plasmado, entre outros exemplos possíveis, nos estudantes muçulmanos, vindos dos países africanos que, sem viver na REB, frequentavam a sala de estudo e os meios de formação da residência, e contavam-nos, nas tertúlias, histórias interessantíssimas sobre os seus países e os seus hábitos e costumes. Claro que especial relevo assumiam as geniais intervenções nas tertúlias do Prof. Jorge André, cujos temas iam desde as suas teses sobre Pedagogia (era um assunto clássico das Quintas-feiras à noite), às suas polémicas opiniões sobre a famigerada PGA (Prova Geral de Acesso), como ainda, as suas peripécias nas viagens para congressos, etc.

Com saudades de tudo isto, e de todas as pessoas que no início dos anos 90 viviam ou frequentavam a REB, lembro as celebrações dos diversos aniversários, num dos quais comemorámos os cinquenta anos do então capelão, os campos de trabalho na Polónia, antes da queda do muro, a celebração dos 700 anos da vetusta e grandiosa Alma Mater, à qual a REB se associou com a organização de um grande evento, a participação em 1992 na Beatificação de S. Josemaria, as obras na casa durante o ano de 1994 e 1995, que duraram catorze meses, o que se supõe ter sido em honra do empreiteiro, que se chamava Senhor Catorze, etc...

Inúmeras coisas haveria para recordar, mas como me tinham pedido para que o texto não foi grande, penso que vale a pena assinalar aqui, acima de tudo, a enorme e profunda gratidão pelo que vivi e aprendi nos anos que tive a honra de viver na REB.

Gonçalo Gaspar (Direito)